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Funções executivas no TEA

As funções executivas abrangem um conjunto de processos comportamentais complexos que permitem ao indivíduo a realização independente e autônoma de atividades dirigidas a metas. Essas funções dependem da integridade de processos volitivos como a capacidade de estabelecer objetivos a partir da motivação e consciência de si e do ambiente. Estão relacionados a vários processos cognitivos como planejamento, organização e prevenção das ações para atingir uma meta e um desempenho efetivo, através de tomada de decisões, desenvolvimento de estratégias, estabelecimento de prioridades, controle de impulsos, auto monitoramento, auto direção e auto regulação da intensidade, do ritmo e outros aspectos qualitativos comportamentais. Além disso, envolve processos emocionais e motivacionais como a ação intencional direcionada a um objetivo planejado, uma ação produtiva baseada na capacidade de dar início, manter, modificar ou interromper um complexo conjunto de ações e atitudes integradas organizadamente (LEZAK; HOWIESON; LORING, 2004; SABOYA; FRANCO; MATTOS, 2002).

 As funções executivas começam a desenvolver-se nos primeiros anos de vida e terminam seu processo de maturação por volta do final da adolescência, sendo responsáveis pelo processo cognitivo que inclui o planejamento e execução de atividades como controle de impulsos, iniciação de tarefas, memória de trabalho, atenção sustentada, entre outras (TEIXERA, 2006). O desenvolvimento dessas funções durante a infância proporciona gradualmente a adequação e um melhor desempenho para a iniciação, persistência e conclusão de tarefas (ANDERSON, 2002).

 A região pré-frontal executa atividades a partir de informações provindas das regiões posteriores do córtex (BOSA, 2001). É responsável pelo planejamento, pela coordenação entre a percepção e organização de diferentes movimentos, isto é, a partir de informações emocionais, atencionais e mnemônicas recebidas do sistema límbico ou do cerebelo e das regiões posteriores sensoriais. Essa região faz um planejamento de ações complexas, soluciona problemas propostos pelo ambiente, organiza e desencadeia as respostas motoras. Assim, para a realização de tarefas diárias e para um adequado convívio social, as funções executivas devem necessariamente estar íntegras, pois a identificação de respostas alternativas para a resolução de problemas reflete na adaptação ambiental do indivíduo (ANDERSON, 2002; PARENTE, 2002).

As funções executivas não são restritas apenas aos lobos frontais. Existem outras estruturas que apresentam uma ligação na execução dos comportamentos como o lobo parietal, que participa da atenção espacial, e o hipocampo, que pode ser visto como um sistema de coordenação executiva que liga representações através das áreas corticais. Ainda, existem estudos que evidenciam a cognição ligada ao cerebelo e núcleos da base, podendo estas ter uma formação em rede com o córtex pré-frontal (GAZZANIGA; IVRY; MANGUN, 2006).

    De acordo com Mattos, Saboya e Araújo (2002), as características da síndrome disexecutiva são a diminuição da autocrítica, falta de preocupação com o futuro, indiferença afetiva, diminuição ou ausência de senso crítico, irritabilidade, desinibição, impulsividade, perseverações e euforia. Também são comuns a presença de sintomas como baixa flexibilidade conceitual, excessiva rigidez comportamental, tendência a indiferença, apatia, entre outros (BOSA; CALLIAS, 2000; SCHEUER et al., 2005).

  De acordo com Klin (2006), o prejuízo das funções executivas no autismo causa dificuldades no planejamento e manutenção de um objetivo na execução de uma tarefa, podendo também gerar déficits no aprendizado por meio de feedback e uma falta de inibição de respostas irrelevantes e ineficientes.

  As funções executivas no autismo apresentam um déficit relevante, pois há um prejuízo na capacidade atencional, na motivação, na memória, no planejamento e execução de uma tarefa. Pela sintomatologia, o que se percebe é que autistas não coordenam a percepção recebida do meio e a coordenação de diferentes movimentos, a partir de informações recebidas do sistema límbico, cerebelo e das regiões posteriores sensoriais. Sendo assim, os achados neuropsicológicos e neuropatológicos das estruturas corticais envolvidas através da neuroimagem auxiliam na explicação dos comportamentos típicos do autismo, apesar de não poderem ser considerados como marcadores biológicos próprios do autismo.

A terapia ocupacional pode ajudar nos treinos de funções executivas, como subir as escadas, com o treino a automatização da resposta (subir ou descer uma escada) fica mais rápida. Durante os atendimentos será trabalhada atenção, orientação espacial, orientação temporal, força, auto regulação, autoconhecimento, esquema corporal, concentração e memória, para conseguir planejar e se organizar diante das situações, com isso alcançando mais autonomia e independência do paciente.

Referência: EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Ano 18, nª188, Janeiro de 2014.

Habilidades das funções executivas

  • Alteração: habilidade para adaptar suas opiniões e condutas a situações novas, variáveis e inesperadas.
  • Inibição: habilidade para controlar respostas impulsivas e automáticas e contestar usando a atenção e o raciocínio.
  • Atualização: habilidade para supervisar a conduta e garantir que você está realizando adequadamente o plano de ação estabelecido.
  • Planejamento: habilidade para pensar em futuros eventos e antecipar mentalmente a maneira correta de realizar uma tarefa ou alcançar um objetivo específico.
  • Memória operacional: habilidade para armazenar e lidar com informações temporariamente para realizar tarefas cognitivas complexas.
  • Tomada de decisões: habilidade para selecionar uma opção entre diferentes alternativas de forma eficiente e criteriosa.
  • Resolução de problemas: habilidade para chegar a uma conclusão lógica considerando algo desconhecido.

Referência: https://www.cognifit.com/br/funciones-ejecutivas

Este texto foi fornecido pela terapeuta ocupacional Nathalia de Barros Mota – Crefito-03/20428-TO. Instagram: @to.nathalia

Rafaela Cacciatore

Rafaela Cacciatore é consultora em aleitamento materno, laserterapeuta aplicada à amamentação e assessora materna.